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Empreendedorismo jornalístico atrai a atenção de universidades e profissionais desempregados no mundo inteiro

Data de atualização: 04/02/2010

Carlos Castilho -

Pelo menos duas grandes iniciativas surgidas nos Estados Unidos nos últimos cinco meses colocaram na ordem do dia uma questão que tira o sono de quase 25 mil jornalistas desempregados nos últimos 10 anos em conseqüência da crise na imprensa norte-americana.

 

É o chamado empreendedorismo jornalístico onde profissionais altamente qualificados, mas sem trabalho, decidem criar o seu próprio sustento usando a internet como plataforma. Este é o público que as universidades do Sul da Califórnia e a Municipal de Nova Iorque pretendem atingir ao lançar dois projetos com o objetivo de discutir a criação de empresas jornalísticas na Web.

 

A Universidade do Sul de Califórnia (USC) anunciou para maio próximo a realização de um curso intensivopara a capacitação de jornalistas interessados em montar seu próprio negócio. Em Nova Iorque, a CUNY (City University of New York) criou um curso regularde empreendedorismo jornalístico e está promovendo a formação de uma rede acadêmica mundial para troca de experiências nesta área.

 

A primeira reunião virtual da rede, realizada agora em janeiro,  contou com a participação de 12 grandes universidadesnorte-americanas e mais duas faculdades da Inglaterra, uma do México, Noruega e Alemanha. O grupo criou uma página wikionde é possível acompanhar a troca de idéias.

 

A relevância adquirida pelo tema desde meados do ano passado acontece paralelamente ao agravamento das dúvidas e incertezas sobre o futuro da imprensa convencional, especialmente a questão da cobrança ou não de acesso à notícias publicadas na internet.

 

É um área onde a realidade está atropelando os jornalistas pois o enxugamento das redações está acontecendo a um ritmo muito mais rápido do que a descoberta de novos nichos de atividade remunerada para os profissionais desempregados e recém formados.

 

Mais do que isto. É um setor onde a perplexidade é generalizada porque a ausência de modelos é total. Está tudo por fazer, o que coloca as universidades numa posição privilegiada, porque elas é que podem promover a pesquisa e o intercâmbio de experiências necessárias para encontrar alternativas.

 

Se a grande imprensa ainda procura um novo modelo de negócios, os profissionais autônomos têm pela frente uma tarefa não menos complicada, que é a de descobrir como obter receitas a partir do jornalismo praticado na Web.

 

Quase todos os estudos e hipóteses apontam no sentido de que não haverá uma solução única e sim várias possibilidades, dependendo do contexto onde está inserido o profissional independente.

 

Mas uma coisa é considerada certa: O jornalista deverá estar vinculado a uma ou mais redes na internet para poder desenvolver o seu trabalho, ter contatos e recorrer à ajuda especializada, em questões como finanças pessoais, apoio jurídico, promoção pessoal e atualização profissional.

 

Outra hipótese tida como muito provável é a de que cada jornalista deverá, durante algum tempo, ter um pé no mundo digital e outro no mundo analógico porque o retorno financeiro de páginas informativas na Web tende a ser  lento e pouco significativo, no começo. Portanto, haja paciência e persistência.

 

Em compensação, a internet oferece possibilidades imensas  de exploração de nichos informativos especializados, notadamente no jornalismo local e hiperlocal , jornalismo investigativo com participação do público e informação altamente especializada. Os jornalistas deverão cultivar as suas próprias redes de leitores, que eventualmente poderão também funcionar como financiadores do profissional.

 

O repórter Cristopher Albrittoncobriu o início da invasão norte-americanano Iraque a partir de contribuições de leitoresdo seu blog. Mais recentemente o projeto Spot.uspassou a reunir jornalistas free lancers para produzir reportagens também financiadas por recursos do público.

 

Este tipo de financiamento direto deverá ser uma das opções financeiras dos jornalistas profissionais na Web. O Spot.us ainda não é considerado uma experiência consagrada, mas há pelo menos três pesquisadores da comunicação na Web estudando o projeto para extrair lições de seus erros e acertos.

Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br

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